Desenvolvida cápsula que liberta continuamente dose diária de um fármaco

Desenvolvida cápsula que liberta continuamente dose diária de um fármaco

2017-01-03


Investigadores americanos desenvolveram uma cápsula que é capaz de libertar continuamente uma dose diária de um fármaco ao longo de semanas ou até meses, dá conta um estudo publicado na revista “Science Translational Medicine”.
C. Giovanni Traverso, o líder do estudo, refere que o objetivo deste trabalho foi encontrar uma forma de facilitar a toma de medicação durante longos períodos de tempo. Quando os pacientes têm de se lembrar de tomar um
fármaco diariamente ou várias vezes ao dia, há uma menor adesão ao tratamento. Ingerir uma cápsula uma vez por semana ou uma vez por mês pode alterar positivamente a adesão à medicação.
Para além de melhorar a adesão ao tratamento, este novo sistema de administração de fármacos de ação longa pode reduzir os efeitos colaterais e melhorar a eficácia da terapêutica, suavizando a elevada variabilidade da
concentração sérica muitas vezes associada à toma diária.
A cápsula desenvolvida pelos investigadores do Hospital Brigham e Women"s e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos EUA, tem o tamanho de uma cápsula de óleo de peixe. Uma vez no estômago, a cápsula
desdobrase e adquire uma estrutura em forma de estrela demasiado grande para passar pelo piloro e sair do estômago, no entanto, permite que os alimentos continuem a passar pelo sistema digestivo.
Para testar as aplicações da cápsula, os investigadores, liderados por Giovanni Traverso, utilizaram modelos matemáticos e animais para investigar os efeitos da administração de uma dose sustentada de um fármaco, o
ivermectina, que é utilizado para tratar infeções parasitárias, como a cegueira dos rios. Este fármaco também é capaz de reduzir a transmissão da malária, uma vez que é tóxico para as espécies de mosquitos que propagam a
malária.
O estudo apurou que a cápsula permaneceu com segurança no estômago dos animais, libertando lentamente o fármaco até 14 dias, fornecendo assim uma nova forma de combater a malária e outras doenças infeciosas.
A cápsula contém polímeros e outros materiais misturados com a ivermectina de forma a permitir que o fármaco difunda lentamente o material ao longo do tempo. Os investigadores verificaram que a cápsula é capaz de difundir o
tratamento até duas semanas, mas estão interessados em continuar a desenvolver o sistema para que este possa fornecer o medicamento por um mês ou mais.
Os cientistas estão a pensar aplicar este novo sistema a outras doenças para além das infeciosas, incluindo doenças crónicas como doenças psiquiátricas, cardíacas e renais.

 

Fonte: univadis.pt 

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