Atraso no tratamento de fibrilação auricular aumenta risco de demência

Atraso no tratamento de fibrilação auricular aumenta risco de demência

2017-05-18

Conduzido por uma equipa de investigadores do Instituto do Coração do Centro Clínico Intermountain, EUA, o estudo de larga escala incluiu a participação de 76.230 pacientes com fibrilação auricular, uma arritmia cardíaca muito comum, que foram acompanhados desde o diagnóstico até iniciarem tratamento de anticoagulação ou agente antiplaquetário.
Os pacientes não apresentavam histórico de demência e foram tratados com varfarina, um fármaco usado no tratamento ou prevenção de coágulos sanguíneos nas veias ou artérias.
A equipa dividiu os pacientes em dois grupos: os que receberam tratamento imediato (iniciado menos de 30 dias após o diagnóstico) e os que iniciaram o tratamento com atraso (um ano após o diagnóstico).
Foi utilizado um índice de medição, conhecido como CHADS2, para prognosticar o risco de trombose e identificar os pacientes que se encontravam em maior risco de declínio cognitivo com o atraso no tratamento.
Os investigadores descobriram que o risco de demência nos pacientes com baixo risco era 30% mais elevado nos que atrasaram o início do tratamento; nos pacientes com risco elevado, esta percentagem subiu para os 136%.
Relativamente ao período de atraso de início do tratamento, registou-se um risco de demência linear à medida que o atraso no início do tratamento com varfarina aumentava, avaliado no âmbito dos seguintes intervalos: menos de 30 dias, de 31 dias a um ano, de um a três anos e mais de três anos.
Jared Bunch, diretor de Investigação do Ritmo Cardíaco no Instituto do Coração do Centro Clínico Intermountain avançou que “os nossos resultados reforçam a importância de iniciar o tratamento de anticoagulação o mais cedo possível após um paciente ser diagnosticado com fibrilação auricular”.
O especialista comentou ainda que “verificámos pela primeira vez que mesmo esperando apenas 30 dias para iniciar o tratamento de anticoagulação pode fazer aumentar o risco a longo prazo de um paciente desenvolver demência”.

Referências
Estudo apresentado no congresso Heart Rhythm 2017, EU

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